Friday, 17 July 2009

está frio. queria estar a dizer isto devido a uma mera descompensação térmica: porque ontem estava 30 graus, ou porque acabei de chegar de férias da andaluzia.
mas não.
após lisboa, houve uns dias verdadeiramente quentes. de ter de dormir de janela aberta e nem assim se refrescar. isso faz quase um mês, e já estamos entrando nos últimos dias de julho.
é sempre a mesma balela - um pouco antes da primavera, anuncia-se o verão mais quente do século. e ele nunca acontece.
ainda há esperança, mas isto realmente me tira o pouco de paciência com o lugar onde estou, ou porque estou.
é feio reclamar. mas foi uma semana difícil, de ansiedades infrutíferas, de tédio profundo, profundo.
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pelo menos isso deu certo, essa fase de desperate housewife tem os seus momentos humildes de glória. improvisei a receita do pão de oregãos, e voilà:

o primeiro granary bread a gente nunca esquece.
a que ponto.

Wednesday, 15 July 2009

das vontades que tenho hoje

entupir-me de pão caseiro, que ficou massudo, mas salgadinho e com gosto de pão de minuto.

fazer uma recauchutagem geral, porque realmente não sei o que o meu corpo tem contra mim.

sair andando a esmo, andando sem nunca chegar a lugar algum. pode parecer contraproducente, mas pelo menos é mais divertido do que LITERALMENTE caminhar por uma existência trágica e sem sentido.

Tuesday, 14 July 2009

meditações de uma ofélia

ando viciada em blogs culinários. talvez seja a minha forçada disponibilidade de tempo que permita este voyeurismo diário, mas posso dizer que é mesmo uma delícia ver o que essas mulheres (perdão pelo sexismo, mas é o cenário que se apresenta) preparam, e ficar imaginando se é possível ou não para o meu amadorismo obter um resultado igual ou semelhante. entre tantos outros experimentos, essas moças testam receitas de cooks famosos, realizam um reality check das suas receitas. sim, porque - não contem pra ninguém - receitas às vezes NÃO dão certo.
meus, meus mesmo, tenho apenas dois livros. um´é um volume grossíssimo de receitas brasileiras, o outro é o taste da sybil kapoor. comprei este livro porque o ex, que era chef de cozinha, o tinha como uma das suas bíblias. e com razão, porque a sua proposta é interessantíssima - investigar a natureza e as combinações dos "cinco elementos" do sabor, e demonstrar a eficácia destas dinâmicas por meio de - claro - algumas receitas.
confesso que, até hoje, só preparei duas dessas receitas. uma foi o minestrone, elogiadíssima por quem o provou - depois de três horas de preparo, tinha de sê-lo, do contrário, ficaria muito chateada, pois! a outra - e é aí que embaso a minha acusação - foram uns muffins de amêndoa que simplesmente NÃO vingaram. segui a receita passo a passo, sem subsituição de ingredientes ou quaisquer improvisos. o resultado foi decepcionante, não me deu sequer vontade de tentar de novo.
por essas e por outras, não gosto muito de livro de receitas e, sim, de colecioná-las. das coisas da minha mãe, guardei as receitas soltas, os cadernos manchados de chocolate, gordura e farinha - mais uns dois livrinhos que ela sempre usava na minha infância. dos livros da claudia cozinha, não faço questão. mas do que ela tinha anotado, sim, porque havia sido testado e feito com frequência. as receitas imbuídas de lembranças, cujos aromas alteram a curvatura tempo-espaço.
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pois, mas não é só de voyeurismo culinário que se vive. arrsiquei-me a preparar, portanto, algumas destas receitas. e elas dão certo. mas, outra confissão - quase SEMPRE altero uma coisa aqui ou acolá, porque este para mim é o grande desafio.
mesmo nas receitas da minha mãe. o bolo formigueiro, por exemplo. não sou uma grande fã de côco ralado, me dá uma azia desgraçada, e o bolo pedia uma grande quantidade. lembrei-me, então, de que ainda tinha metade de um saquinho de amêndoas moídas e voilà - o resultado foi perfeito. como o namorado é fissurado em amêndoas, arrisquei também uma colherinha de essência na massa, e cobri o bolo com calda de chocolate. como dizem por aí: "de comer ajoelhada".
mas, voltando aos blogs das quituteiras.
deste aqui, veio a inspiração do meu mais novo estrogonofe. não sei se são os fogões por onde passo - e já passei por muitos lugares nesta ilha -, as panelas mequetrefes que uso, ou a minha simples inaptidão em acertar o corte da carne e frítá-la na temperatura ideal, mas os meus estrogonofes são sempre muito "meia-boca". não sou uma grande fã de creme-de-leite fervido, o que não ajuda. mas a fer, a blogueira, veio com a brilhante sugestão de usar o créme fraîche (muito mais leve e gostoso), colocando-o por cima da carne, já no prato. mas ainda me restava o dilema da carne. e eureka. resolvi, então, fazer um picadinho, previamente refogado e depois cozido com vinho, cebolas e pimenta por umas três horas em fogo baixo. ao final, quando já estava com aquela textura de quase desmanche, cogumelos frescos e fatiados, para cozer no molho grosso extraído da carne, e uma colher de sobremesa de mostarda dijon. o creme só foi ao prato, salpicado com salsinha, juntamente com o arroz branco e soltinho. uma delícia, mesmo. a slow cooking strogonoff.
deste aqui, testei a sopa de cenouras assadas. os meus desvios: reduzi a receita à metade, e dividi a quantidade de legumes entre cenouras e cogumelos frescos, além de não ter cominhos, subsituindo-os por estragão. não botei muita fé que iria ficar interessante, era mesmo uma solução improvisada com os ingredientes que tinha ao meu dispor. mas ficou, como posso dizer, di-vi-na! os sabores terrenos dos dois legumes se complementaram, e o estragão tirou um pouco da doçura da cenoura. o namorado, que detesta sopa de cenoura, repetiu. disse que era a melhor sopa que já tinha comido na vida (exagero, e ele praticamente só toma sopa em lata...). deste blog, agora vou experimentar os tais cookies melhores do que brownies. talvez já com as amburanas (não tenho açúcar baunilhado) que ganhei num sorteio neste outro blog, de onde adaptei também uma receita de panna cotta, transformando-a num míni-manjar de côco (não usei creme-de-leite, substituindo a sua quantidade por creme fraîche - de novo - e leite de côco light), e encontrei uma receita de sequilhos - raivinhas - que há muito procurava.
finalmente, o pão de cada dia (tenho feito toda semana). que veio daqui, lá do continente, da terra que amo. um pão de "oregãos". que, na minha versão, virou "pão de tomilho". porque acho duas ervas muito semelhantes, mas o tomilho vence na minha preferência por ser mais delicado, menos amargo. esta foi a minha única adaptação a esta receita, pois se há algo que não entendo é de quantidades de coisas como farinha, fermento, etc. alías, queria era aprender como converter quantidades de fermento biológico nas de fermento em pó (o de pão) que é só o que se encontra por estas bandas.
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e todo este papo me deu fome, e eu vou passar a tarde a assar pão e bolo. até mais.

Wednesday, 8 July 2009

quem manda...


... ler os blogs saborosos das portuguesas?
além da fome, vem esta saudade insuportável de lá. é mesmo INSUPORTÁVEL.
preciso de um plano. urgente.

pequenos círculos

a gente pensa que não quer algo nunca mais, e de repente está ali a bater numa porta familiar de novo.
a gente pensa que certas coisas são muito aceitáveis e, ao olhar para trás, vê o quanto aquilo nos mutilou. e, de repente, algo tão corriqueiro torna-se verdadeiramente insuportável.
a gente pensa que não quer uma coisa, daí vê que quer, daí sente que não, e a cada aurora tem uma opinião diferente sobre o assunto - librianismo puro.
a gente sente tudo a tomar um rumo inesperado e instável, mas prefere as mudanças à estagnação e o conforto - a vida não avança em retrocesso.

Monday, 6 July 2009

dear diary

tenho circulado por alguns ambientes que me são completamente estrangeiros - há uma variedade considerável de pessoas neste mundo, e não canso de me deparar com elas. é quase sempre interessante, embora cansativo.
no primeiro evento do fim de semana, fui a um aniversário de um amigo do namorado (os eventos são sempre relativos ao namorado, pois o meu minúsculo círculo de amigas não promove eventos, somente encontros one-to-one). com metade das pessoas que ali estava, eu realmente nem tinha como começar uma conversa - desencontro total de personalidades, interesses e princípios.
a outra metade, eu já conhecia, e foi com elas que me aconcheguei. sentei-me ali com meu hamburguer, salada de batatas (sim, era um "churrasco" tipicamente inglês, com linguiças e hamburgueres no grelha, mais uma série de acompanhamentos) e soda limonada na vã esperança de ficar na mera observância e na emissão de monossílabos ocasionais.
mas os meus planos foram frustrados, pois chegou um casal muito simpático que ainda não me conhecia. a conversa iniciou com um questionário sobre as minhas habilidades linguísticas - comercializadas pelo namorado, que diz a todo mundo que eu falo CINCO línguas, ainda que isto esteja completamente longe da realidade dos fatos. e sabe como é. tive de traduzir o que diziam em espanhol (as pessoas aqui adoram espanhol, pois, claro, mudam-se para a espanha no verão), corrigí-las, e ensiná-las um pouquinho de português. após uns dez minutos disto, achei que tinha cumprido o meu papel de atração circense e feito a minha boa ação do dia, e resolvi circular um pouco (leia-se ir até a cozinha), repetir a dose de comida e arriscar uma cerveja morna (o gelo dos baldes derreteu-se todo...).
no meu retorno, no entanto, a outra parte do casal recém conhecido - um moço muito simpático - abandona a noiva e puxa uma cadeira para se sentar ao meu lado. não pude ignorar os olhares desconfiados da menina na minha direção. como disse, tudo que queria era COMER e observar. mas não deu certo. o meu namorado, por sua vez, estava numa rodinha de homens que falavam sobre motocicletas e motocicletas também. totalmente alheio.
o papo foi de são paulo (a cidade) ao time do liverpool, passando pela minha banda favorita, que é também a banda favorita do moço. eu conheço este tipo de moço, já encontrei inúmeros deles nesta vida - podemos passar DIAS conversando. nada de muito profundo ou revelador, ou de cunho romântico, não. é conversa de botequim da boa, pura e simplesmente.
e eu conheço aquele tipo de moça que acredita em mundos azuis e cor-de-rosa. ela bem que tentou mudar o rumo da conversa. mas notas informativas sobre o casamento no ano que vem, ou um relatório detalhado do dia dela no trabalho não engrenaram.
na verdade, eu queria mesmo era vir para casa. mas fui ter com as crianças até quase o momento de irmos embora, o que é sempre uma retirada digna e estratégica.
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o segundo evento foi uma confraternização high society. um almoço descontraído, mas para terem uma idéia, o primeiro-ministro estava por lá. ele mesmo. um tanto surreal. há três graus de separação entre nós, mas isto não acrescenta nada em minha vida. pelo menos não hoje.
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após o tal almoço, uma volta pelo zôo londrino, um passeio há anos pendente em minha agenda.
não gosto de zoológicos, corta-me o coração ver aqueles bichos ali tão exilados, expostos à bisbiolhitice humana e crianças maleducadas. acho errado e pronto.
mas o zôo de londres. bom. ouvi tantos elogios e. não sei muito o que dizer.
em primeiro lugar, é minúsculo, comparado às dimensões que imaginava.
a seguir - a proposta de deixarem os animais soltos ou em encarceramentos amplos, que reproduzem o habitat natural é louvável. mas deixa a possibilidade de um vislumbre dos bichos à nossa própria sorte.
tudo que vi foi um leão ao longe, a dormir; um tigre de perto, também engajado na mesma atividade. na área reservada aos macacos - soltos -, vi, muito distante, um mico. alguns porcos selvagens também, e desisti da área das zebras e girafas, pois o tempo urgia e não queria desapontar-me - e entristecer-me - mais ainda.
os pássaros, tristes. cobras enroladas em confinamento, ou camufladas. um filhote de crocodilo no canto de uma estufa de vidro, como se quisesse quebrá-la, com aparência de ser morto.
agora, o highlight foi o pavilhão das mariposas e borboletas - a voarem ao nosso redor.

e o edifício dos insetos, com baratas, gafanhotos, etc. eu disse baratas. eis a prova (são baratas muito espertas e domesticadas, no entanto, como podem notar):

se eu tivesse pago as 18,50 libras da entrada, estaria de muito mau humor hoje. e a minha redação da terceira série teria sido um verdadeiro fiasco.
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e nem quero comentar a final de wimbledon. gravamos a partida para o nosso retorno, e não sabia do resultado ou do drama ali desenrolado.
sinceramente, o 15o grand slam de federer podia ter sido outro que eu não ia me importar.

Wednesday, 1 July 2009

salvai-me, senhor

para um país que doesn’t do god, é incrível a quantidade diária de crentes que batem à minha porta. e, não sei se é de conhecimento geral, mas este é um território infestado pela praga evangélica (em parte, graças aos meus queridos compatriotas), além das costumeiras testemunhas e outros povos bíblicos que adoram pregar de lar em lar.
tudo bem. estou em casa, aparentemente desocupada. mas se estou em casa é porque:
1. estou doente; ou
2. ocupada com afazeres amelícios; ou
3. ocupada com afazeres laborais; ou
4. de saco cheio e perfeitamente feliz em não interagir com outros seres humanos; ou
5. sou uma mãe de família com um bebé recém-nascido que requer toda a minha atenção.
6. estou lendo, vendo um filme, algo do gênero.

enfim. em qualquer um dos cenários, qualquer um mesmo, acho que é bastante óbvio que o fato de eu estar em casa não pressupõe a minha disponibilidade para, de roupão ou roupa de bater, escutar contos da carochinha sobre o apocalipse, amigos imaginários e a minha possível necessidade de salvação.