ando viciada em blogs culinários. talvez seja a minha forçada disponibilidade de tempo que permita este voyeurismo diário, mas posso dizer que é mesmo uma delícia ver o que essas mulheres (perdão pelo sexismo, mas é o cenário que se apresenta) preparam, e ficar imaginando se é possível ou não para o meu amadorismo obter um resultado igual ou semelhante. entre tantos outros experimentos, essas moças testam receitas de
cooks famosos, realizam um
reality check das suas receitas. sim, porque - não contem pra ninguém - receitas às vezes NÃO dão certo.
meus, meus mesmo, tenho apenas dois livros. um´é um volume grossíssimo de receitas brasileiras, o outro é o
taste da
sybil kapoor. comprei este livro porque o ex, que era
chef de cozinha, o tinha como uma das suas bíblias. e com razão, porque a sua proposta é interessantíssima - investigar a natureza e as combinações dos "cinco elementos" do sabor, e demonstrar a eficácia destas dinâmicas por meio de - claro - algumas receitas.
confesso que, até hoje, só preparei duas dessas receitas. uma foi o
minestrone, elogiadíssima por quem o provou - depois de três horas de preparo, tinha de sê-lo, do contrário, ficaria muito chateada, pois! a outra - e é aí que embaso a minha acusação - foram uns
muffins de amêndoa que simplesmente NÃO vingaram. segui a receita passo a passo, sem subsituição de ingredientes ou quaisquer improvisos. o resultado foi decepcionante, não me deu sequer vontade de tentar de novo.
por essas e por outras, não gosto muito de livro de receitas e, sim, de colecioná-las. das coisas da minha mãe, guardei as receitas soltas, os cadernos manchados de chocolate, gordura e farinha - mais uns dois livrinhos que ela sempre usava na minha infância. dos livros da
claudia cozinha, não faço questão. mas do que ela tinha anotado, sim, porque havia sido testado e feito com frequência. as receitas imbuídas de lembranças, cujos aromas alteram a curvatura tempo-espaço.
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pois, mas não é só de voyeurismo culinário que se vive. arrsiquei-me a preparar, portanto, algumas destas receitas. e elas dão certo. mas, outra confissão - quase SEMPRE altero uma coisa aqui ou acolá, porque este para mim é o grande desafio.
mesmo nas receitas da minha mãe. o
bolo formigueiro, por exemplo. não sou uma grande fã de côco ralado, me dá uma azia desgraçada, e o bolo pedia uma grande quantidade. lembrei-me, então, de que ainda tinha metade de um saquinho de amêndoas moídas e
voilà - o resultado foi perfeito. como o namorado é fissurado em amêndoas, arrisquei também uma colherinha de essência na massa, e cobri o bolo com calda de chocolate. como dizem por aí: "de comer ajoelhada".
mas, voltando aos blogs das quituteiras.
deste
aqui, veio a inspiração do meu mais novo estrogonofe. não sei se são os fogões por onde passo - e já passei por muitos lugares nesta ilha -, as panelas mequetrefes que uso, ou a minha simples inaptidão em acertar o corte da carne e frítá-la na temperatura ideal, mas os meus estrogonofes são sempre muito "meia-boca". não sou uma grande fã de creme-de-leite fervido, o que não ajuda. mas a fer, a blogueira, veio com a brilhante sugestão de usar o
créme fraîche (muito mais leve e gostoso), colocando-o por cima da carne, já no prato. mas ainda me restava o dilema da carne. e eureka. resolvi, então, fazer um picadinho, previamente refogado e depois cozido com vinho, cebolas e pimenta por umas três horas em fogo baixo. ao final, quando já estava com aquela textura de quase desmanche, cogumelos frescos e fatiados, para cozer no molho grosso extraído da carne, e uma colher de sobremesa de mostarda dijon. o creme só foi ao prato, salpicado com salsinha, juntamente com o arroz branco e soltinho. uma delícia, mesmo.
a slow cooking strogonoff.
deste
aqui, testei
a sopa de cenouras assadas. os meus desvios: reduzi a receita à metade, e dividi a quantidade de legumes entre cenouras e cogumelos frescos, além de não ter cominhos, subsituindo-os por estragão. não botei muita fé que iria ficar interessante, era mesmo uma solução improvisada com os ingredientes que tinha ao meu dispor. mas ficou, como posso dizer, di-vi-na! os sabores terrenos dos dois legumes se complementaram, e o estragão tirou um pouco da doçura da cenoura. o namorado, que detesta sopa de cenoura, repetiu. disse que era a melhor sopa que já tinha comido na vida (exagero, e ele praticamente só toma sopa em lata...). deste blog, agora vou experimentar os tais
cookies melhores do que brownies. talvez já com as amburanas (não tenho açúcar baunilhado) que ganhei num sorteio neste outro
blog, de onde adaptei também uma receita de
panna cotta, transformando-a num míni-manjar de côco (não usei creme-de-leite, substituindo a sua quantidade por creme fraîche - de novo - e leite de côco
light), e encontrei uma receita de sequilhos - raivinhas - que há muito procurava.
finalmente, o pão de cada dia (tenho feito toda semana). que veio
daqui, lá do continente, da terra que amo. um pão de "oregãos". que, na minha versão, virou "pão de tomilho". porque acho duas ervas muito semelhantes, mas o tomilho vence na minha preferência por ser mais delicado, menos amargo. esta foi a minha única adaptação a esta receita, pois se há algo que não entendo é de quantidades de coisas como farinha, fermento, etc. alías, queria era aprender como converter quantidades de fermento biológico nas de fermento em pó (o de pão) que é só o que se encontra por estas bandas.
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e todo este papo me deu fome, e eu vou passar a tarde a assar pão e bolo. até mais.